Agora falando sério…

junho 17, 2009

 

Quando cheguei à minha atual empresa, me disseram:
– Aqui na nossa equipe fazemos o que é definido via EPM, e lançamos as horas no PWA! Mas nem todo mundo usa… Isso precisa mudar!
Confesso que quando escutei isso, senti um arrepio correndo minha espinha de cima a baixo! Mas por saber que por ser uma prática comum em muitos lugares que funcionam com gestores de projetos centralizadores e controles automáticos voltados ao produto e não às pessoas, tal reflexão me levou à concluir que grande parte dos times de projeto só trabalha baseado em comando-controle. Na pior das hipóteses, a maioria está acostumada ou só funciona com um “input” vertical! Ou seja: Não pense! Faça isso e pronto! Por mais triste que seja, é a vida como ela é!

O que diz a cultura Scrum?

Usando palavras de Ken Schwaber, mentor e um dos criadores do Scrum (mote desse humilde blog), “o fator cultural e a comunicação de uma equipe contribui e influencia positivamente ou negativamente a saúde da maioria dos projetos“. Nesse caso (é batata! – adoro essa expressão), a saúde do projeto está relacionada diretamente à comunicação entre os membros das equipes! E a qualidade da informação trocada pode ser o maior benfeitor ou o pior dos vilões de um projeto! Em tempos de mudança, uma comunicação bem feita faz milagres! E não precisa saber rezar…

Enfim, não basta ser guru (ou consultor em projetos) para prever que boas práticas na comunicação implicarão na diminuição – tendendo à extinção, se perseguida por todos – daqueles indesejáveis erros que vão se acumulando durante os dias contados nos tenebrosos gráficos de Gantt. Tornando o que antes eram grandes bolas de neve, pequenas bolinhas de gude administráveis!

Quem não se comunica…

Assim, para estancar esse ciclo viciado, devemos começar no inicio de tudo (olha o pleonasmo aí!): na concepção dos requisitos. Porque depois, para remendar o telefone sem fio que passa para os membros das equipes de design, que passa por projeto, que passa por análise, que passa por testes (será que passa? passou…) e culmina com a rejeição do cliente ao produto final apresentado, além de ser oneroso, dá um desgaste daqueles…

O ônus de tudo isso, já sabemos de cor: noites mal dormidas; stress de sponsor, stakeholders e uma nítida impotência diante de negativas, culminando na insatisfação nos olhos de todos do time… Alguém já viu algo parecido?

Assim pergunto a você: Como podemos melhorar nossa comunicação? Bem, se isso não for um hábito cultural da equipe, devemos ter alguém responsável por tal tarefa. Alguém que consiga influenciar positivamente a todos, transformando a cultura do ambiente, propiciando o desenvolvimento coletivo e rompendo com idéias e padrões que não estão dando resultados. Dentre eles, por que não tentar quebrar um velho paradigma do tipo: “manda quem pode, obedece que tem juízo” para: “como posso colaborar para que tudo dê certo?”.

Não sei, mas acho que temos muito a conversar!

Tempos de mudança

É inegável que atualmente a única certeza que temos em ambientes de projeto é que tudo vai mudar! E para haver mudanças, o ambiente entre as pessoas deve ser receptivo a elas; senão isso passa a ser sinônimo de problemas! Nesse caso, ter times que se adaptem rapidamente quando elas ocorrerem facilita muito a vida de todos.

E mais, para que a cultura do autogerenciamento propagado pelo Scrum seja adotada (e notada) em sua plenitude, uma coisa é fato: Pessoas devem ser tratadas como tal e devem se comunicar como tal! E a tarefa do Scrum Master nesse contexto é sempre objetivar uma maior interação entre os membros da equipe. Mediando discussões, incentivando a busca por metas e facilitando as coisas para que as mudanças ocorram com mais naturalidade e sejam melhor aceitas por todos.

Para isso, devemos nos preocupar em formar equipes com um alto nível de comunicação assertiva, focadas num objetivo comum, e não ter um bando especialista afônicos que batem cabeça em grupo! Será que isso é fácil? Não, não é mesmo!

Epílogo

Como esse post é para falar de Scrum, em minhas andanças por sites e blogs de Scrum Masters (porque será que todo Scrum Master tem um blog?), sempre coleto algumas informações que acredito que possam ajudar minha equipe. Sem me alongar muito nesse papo, uma definição legal que achei sobre Scrum é:

Scrum é definido como um método simples e empírico. Depende quase que exclusivamente de inspeção, adaptação e comunicação das mudanças entre os membros da equipe. Iterativo e com times auto-organizáveis, deve gerar incrementos e definir entregas de valor ao cliente ao final de cada jornada de trabalho (sprint).

Simples assim? Sim, simples assim… Mas sem comunicação, nem isso dá pra fazer!

Segundo o Sílvio Santos, “a chave do negócio é se comunicar melhor para atingir cada vez mais mercados“. Será que ele consegue?? Não sei, mas nos dias de hoje, a frase do próprio que melhor se encaixa nesse contexto é: Quem quer dinheiroooo???

Trocando em miúdos, comunicação vale dinheiro! A boa comunicação, abre novos mercados!

Depois dessa, vou dormir! Essa é pra pensar no travesseiro!

Abraço a todos e até a próxima!

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Vida de Scrum Master

junho 17, 2009

 

Vida de Scrum Master é um esporte radical! Praticado em escritórios, a adrenalina é maior principalmente quando inicia um novo trabalho… Uma de suas primeiras atribuições, deverá se concentrar na passagem de conhecimento em Scrum, além de gerar uma mudança gradual de visão nas equipes dos projetos por onde passa. 

Logo, esses profissionais são movidos – acima de tudo – pelo ideal de desbravar lugares dos mais variados tipos e, ter disposição para ajudar sua equipe a enfrentar todo tipo de problema! Sem correr riscos desnecessários… Sempre rechaçam a idéia de serem heróis; pois sabem que estes morrem mais cedo!

Para isso, devem estar preparados para enfrentar, além da resistência natural do terreno e condições climáticas adversas, pessoas que se opõem “ao novo” (elementar, meu caro Watson), e ser desafiado mais a cada dia! Se põe seus pés naquela empresa, deve ter a convicção que para melhorar algo, há de trabalhar mais e melhor!

Já entra sabendo que inicialmente encontrará à sua frente pouca formalização da comunicação – quando essa existir. Ou seja, não há nem placas de orientação para se desviar de buracos deixados! Porém, resignado, tentará melhorar a paisagem, diminuindo alguns problemas causados pelo tempo, por pessoas, conceitos equivocados ou demais intepéries da natureza de seus projetos.

Obstinados, perseguem como objetivo principal conduzir sua equipe à melhorias contínuas na prática de projetos e nas relações humanas. E inevitavelmente, quando adentram sua nova casa, acabam indo direto para o campo! Pois deve salvar companheiros reféns de seus projetos.

Serão sempre sutilmente doutrinados a pensar que ao invés de somente dimensionar problemas existentes, deve trabalhar para que os mesmos diminuam. Terá por tarefa ajudar equipes inteiras de projetos sairem de abismos profundos e alcançarem o topo em operações arriscadas de salvamento! 

Para isso, o melhor que tem a fazer é esticar os braços e arregaçar as mangas! Caso contrário, é importante que saiba orar, para que tudo dê certo no final! Mesmo tendo uma ponta de certeza que a chance do projeto “ir para o vinagre” é quase um fato!

No geral, seu trabalho consiste em diminuir gradativamente a profundidade de abismos, ora construindo pontes que una as duas pontas do buraco; ora pavimentando tudo em equipe; enterrando velhos problemas, sinalizando para indicar caminhos e evitando que algum dos seus caia ou cave um novo buraco sob os pés dos demais…

Enfim, é ou não um trabalho daqueles? Ah, seu único equipamento de segurança é um bungee jump comprado na 25 de março!

Eu amo muito tudo isso! E lá vamos nós…